Equipamentos velhos representam problema novo no Brasil, onde a maioria das pessoas ainda não sabe como descartá-los com segurança
No ano em que o mundo admitiu que o homem é o principal responsável pelas mudanças climáticas e discute soluções para frear o aquecimento global, o Brasil insiste em empurrar para baixo do tapete a realização de um debate amplo e aberto sobre a problemática que envolve os resíduos tecnológicos, chamados resíduos hi-tech. Entre eles estãopilhas e baterias, lâmpadas fluorescentes, telefones celulares e equipamentos eletroeletrônicos (computadores, televisões, rádios e impressoras etc.).
São toneladas de equipamentos que se tornam obsoletos em pouco tempo e cujo descarte adequado é desconhecido por grande parte da população brasileira. A maioria destes produtos possui em sua composição metais pesados, como chumbo, cádmio e mercúrio, entre outros. Se manuseados de maneira inadequada ou dispostos de forma irregular no solo oferecem riscos à saúde pública e ao meio ambiente, com perigo de contaminação do ar, do solo e das águas.
O celular do professor de jornalismo José de Sá, da Universidade Metodista de São Paulo, quebrou em abril deste ano. Ele foi a uma loja da Vivo, localizada em um shopping próximo da Avenida Paulista, para comprar um novo equipamento. Preocupado com a questão ambiental, perguntou à funcionária da operadora de telefonia onde deveria depositar a bateria do aparelho quebrado. Ela apontou para uma lixeira comum do corredor e disse que ele poderia jogar ali mesmo. “Fiquei indignado com a falta de preparo da vendedora. Ela deveria ser treinada para dar a resposta correta. Isso é um descaso, uma irresponsabilidade social”, lamenta o professor. Ele estava disposto a manter o celular na gaveta até encontrar uma solução, mas acabou repassando o equipamento para um conhecido que se comprometeu a consertá-lo.
As chapas de raio-X esquecidas nos hospitais são revendidas e muitas vezes recicladas por empresas responsáveis por lixo hospitalar. Já as que vão para casa geralmente vão parar em lixões e aterros. Como contêm metanol, amônia e metais pesados como cromo, as chapas usadas acabam carregando resíduos tóxicos.
O que pouca gente sabe é que delas é possível extrair cristais de prata.
Reutilizados, esses cristais se transformam em talheres e jóias, por exemplo. A partir de outro material restante da reciclagem das chapas, o acetato, podem-se fabricar caixas de presentes e bolsas.
Mas, segundo o Instituto Triângulo, o processo de reciclagem das chapas ainda é complexo, gera resíduos tóxicos e requer um alto gasto de energia. A ONG estuda uma forma de fazer a reciclagem das chapas ainda neste ano.
Por enquanto, pode-se tentar vendê-las. Na internet, há anúncios, geralmente dirigidos a quem vende o material em grandes quantidades. Por isso, é interessante que condomínios e associações se reúnam para coletar e revender as chapas, que costumam render cerca de R$ 1,50 a unidade.
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